Da terra do boi bumbá para Manaus, conheça os novos reforços do Galo para a Série B

Da terra do boi bumbá para Manaus, conheça os novos reforços do Galo para a Série B

A vida do jogador de futebol é feita de oportunidade. Levando isso para a realidade underground do nosso estado, aonde muitos jovens do interior cruzam o rio para chegar à capital amazonense, podemos dizer que essa janela é ainda mais curta, pois apenas o talento e a força de vontade muitas vezes não são o suficiente. Para explicar melhor as motivações que levam o atleta à perseguir este sonho, a reportagem conversou com o goleiro Gabriel Souza, de 18 anos, e o meia-atacante Rodrigo Parintins, de 19, ambos atletas que passaram em um teste feito pelo Atlético Rio Negro Clube, equipe 17 vezes campeã do Campeonato Amazonense, mas que hoje se encontra na segunda divisão, e busca retornar à elite do Barezão.

Manaus é distante 366 quilômetros de Parintins. Os atletas que vieram da terra do boi bumbá deixaram tudo para trás em busca da chance de se tornarem profissionais. E a motivação? Isso vai além do desejo de se tornar famoso e jogar nos grandes centros, Rodrigo quando perguntando sobre o assunto, respondeu: “Estou dois meses longe da minha família, mas estou aqui por eles, quero dar uma vida melhor para eles, todo dia bate uma saudade, mas a gente consegue amenizar com ligações e mensagens pelo whatsaap”.

Gabriel ressalta o relacionamento que tem com os seus pais e avós para falar de sua motivação, o goleiro diz que se hoje ele tem a oportunidade de estar atuando no futebol é por conta do suporte que recebe da família: “Eu tenho os meus pais e meus avós, todos estão torcendo. Isso é muito importante, eu fico muito feliz em dar orgulho para minha família, pois eles são tudo na minha vida, sempre me apoiaram de uma forma grandiosa, e se eu estou aqui, é porque eles me incentivaram desde o início”

Acumulando experiência no futsal e no próprio futebol de campo, os atletas contam que participaram de diversos campeonatos da sua cidade. No caso de Gabriel, o garoto fala que em certo momento da sua vida, ele tinha que dividir seu tempo no futebol, o trabalho de vigia e os bicos que realizava no lanche de sua tia. Para o Rodrigo, o jovem diz que era rejeitado nas entrevistas de emprego por conta da falta de experiência, e que por conta disso, passou a se dedicar exclusivamente para o futebol.

“Eu nunca conseguir trabalho, pois sempre tive muita dificuldade para conseguir. Eles diziam que eu não tinha experiências, por esse motivo eu sempre era deixado de lado. Com isso, passei a focar no futebol e fazer o meu dinheiro dessa forma. Eu entendo que existe dificuldade em todo lugar, mas sei que se a gente se esforçar, logo vem à melhora”

Com suas motivações bem estabelecidas, os jovens agora esperam ajudar o Rio Negro à voltar para a primeira divisão do Barezão. Rodrigo diz que este é um primeiro passo para objetivos ainda maiores, e o atleta revela que deseja ter condições e cumprir algumas promessas que fez para amigos próximos: “Eu sempre estipulei como uma das minhas ajudar as pessoas da minha cidade, com o pouco que eu tenho, eu já procuro fazer isso, e com certeza quando tiver mais condições, farei ainda mais. Eu fiz promessas para um amigo meu que é muito necessitado, disse que um dia teria renda o suficiente para conseguir uma casa para ele”.

Gabriel citou sua mãe para definir suas metas: “Tudo no tempo de Deus”, o atleta encerra falando que conseguir atuar fora do estado, viver apenas do futebol será a forma de retribuir dando um futuro melhor para toda a sua família.

Foto: Maria Luiza Dacio

Daniel Prestes

Criador e editor do Camisa 12 e repórter do jornal A Crítica/CRAQUE. Apaixonado por estatísticas no futebol.

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